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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

http://solidariedadeadelubio.com arrecada mais de R$ 1 milhão

SOLIDARIEDADE E GRATIDÃO
Expressamos o nosso profundo agradecimento às companheiras e companheiros, amigos de todo o território nacional, que ao longo do exíguo prazo de oito dias se solidarizaram a um companheiro da correção, lealdade e integridade pessoal de Delúbio Soares.

Todo nosso trabalho - realizado nas redes sociais, entre os militantes petistas e de partidos de esquerda, movimentos sindical e popular, além dos amigos e amigas de Delúbio pelo país afora – foi embalado por uma questão política absolutamente clara: solidariedade e apoio aos que foram alvos de um julgamento político, midiático e de exceção. Julgamento onde houve uma tentativa de criminalização do projeto representado pelo PT, negando-lhe o papel histórico de profundas transformações sociais.

Nossa campanha de arrecadação foi um ato político, consciente e solidário. E o amplo êxito alcançado com a coleta de expressivos R$ 1.013.657,26, é a reafirmação de nossa solidariedade a um dos companheiros.
Ao expressarmos imensa gratidão aos milhares de doadores, muitos inclusive sem filiação partidária e movidos apenas pela indignação e o sentimento de solidariedade, convocamos para as novas jornadas em favor de José Dirceu e João Paulo Cunha. E o valor excedente de nossa campanha, descontados os tributos, será doado a esses companheiros, visando o pagamento de suas injustas e exorbitantes multas.
Maria Leonor Poço Jakobsen
OAB nº 170.083/SP
Multa
Valor Arrecadado
R$ 466.888,90
R$ 1.013.657,26

Circuito ABC de MCs

http://farofafa.cartacapital.com.br/2014/01/30/circuito-abc-de-mcs/

Data: 30 jan 2014
 
A noite caía em São Bernardo quando Lucas Felix e Caio LRO subiram no palco do Duet’s Bar, no centro da cidade. No domingo 26 de janeiro, o calor era intenso. Os quatro ventiladores espalhados pela casa de nada adiantavam. Mas, mesmo assim, cerca de 150 pessoas aguardavam ansiosas: em alguns instantes, teria início a decisão da etapa de estreia do 1º Circuito ABC de MCs. O campeão levaria seis camisetas e uma gravação no estúdio de LRO. Por isso, antes da final, LRO concedeu a gravação a Felix, e eles resolveram dividir o restante da premiação.
O circuito foi idealizado e realizado pelo Itinerário RAP – coletivo de MCs organizado por Felipe Correa, Guilherme Genereze, Hugo Jacob e Danilo Corradi –, com apoio das organizações das batalhas da Matrix (São Bernardo), da Viela (Santo André), das Pistas (Mauá) e da Central (Diadema). As cidades compõem o ABC paulista, berço do sindicalismo brasileiro. Os 16 MCs que mais vencessem as batalhas garantirão vaga para o circuito. Serão 12 etapas ao longo do ano – uma por mês. Santo André será sede da segunda, seguida por Mauá e Diadema. Esta sequência se repetirá por mais duas vezes.
Quando o MC ganha uma batalha classificatória, garante a vaga no circuito e um ponto no ranking. Se vencer outra batalha, o vice-campeão se classifica para o circuito, sem pontuar. Já nas etapas do circuito, o campeão acumula cinco pontos e o vice, três. Quem tiver mais pontos até a última etapa do circuito, em dezembro, será considerado o melhor MC do ABC.

Já passava das 9 horas da noite. Os dois rappers que improvisaram as melhores rimas do dia aguardavam ao início da final. À direita, LRO, MC de Mauá que há pouco cantara em show de lançamento de seu EP “Prefácio” – o primeiro álbum do Nadidoiz, composto também pelos rappers Skiter e Piolho. À esquerda estava Felix, integrante do coletivo Alma (Alma Lírica Musical da Alma) e o único paulistano no circuito. O rapper de Ipiranga foi o último a se classificar, ao vencer naquela semana a Batalha das Pistas – que tem LRO como um dos organizadores.
O primeiro round começa. Em 30 segundos, Felix ataca com um vocabulário amplo, pouca repetição de palavras, mostrando que, como se diz quando a batalha é boa, os próximos minutos seriam de sangue. No direito de resposta, LRO respondeu à altura. Felipe Correa – ou Neno –, na sequência, pediu para que o público fizesse barulho por ordem de rima. Primeiro, para Felix. Depois, para LRO – para quem os gritos foram mais altos e, com isso, lhe renderam vitória no Round 1.
“LRO terminou…”, introduziu Neno. “LRO começa”, completou o resto da galera. Com mais 30 segundos de improvisação, LRO arrancou barulho com a rima: “Ele quer falar difícil, mas é moleque/ ‘Cê’ quer ser chamado do quê? Professor Pasquale do rap?”. Na resposta, Felix surpreendeu. Variando o ritmo da improvisação – hora pausado, hora acelerado –, tirou ainda mais gritos quando rimou, olhando para o púlico: “Me chamou de professor Pasquale do rap/ E esse aqui também é o Pasquase faz rap”. Felix levou o Round 2.
Com o empate, a final foi definida no Round 3, que tem o estilo chamado “bate-volta” – os rappers improvisam alternadamente, sem pausa; primeiro, fazem quatro rimas; depois, têm direito a outros três ataques com duas rimas por vez. Quando Neno pediu o barulho da galera para definir o campeão, o som foi mais alto para Felix.
Derramamento de sangue
Os 16 MCs proporcionaram batalhas de alto nível, também chamadas de “derramamentos de sangue”. Tanto é que, mesmo em um calor que beirava o insuportável dentro da casa, o público ocupou praticamente o salão inteiro durante as quatro fases (rounds 1 e 2, semi e final).
Kauan (de camiseta laranja) e Caio LRO - Fotos: Gabriel Centurion
Kauan (de camiseta laranja) e Caio LRO – Fotos: Gabriel Centurion
Logo na primeira fase, Kauan e LRO protagonizaram uma das batalhas mais pesadas, decidida no terceiro round, com muito barulho para os dois. O sangue jorrou ainda mais no duelo entre Magrello – que venceu – e Shiru. Daniel MC, organizador da Batalha da Viela e semifinalista da noite, mostrou toda a experiência que acumulou como em rinhas – que inclui 10 vitórias na tradicional Batalha do Santa Cruz.
Também chamaram a atenção as rimas dos rappers do Linha de Frente MCs: Daniell, com raciocínio rápido, explicitava nas respostas o que o rap significa na sua vida; Jorge Mario fez a galera rir com suas rimas bem-humoradas, ao mesmo tempo em que confirmou sua franca evolução desde que começou a rimar na Batalha da Matrix.
O domingo ainda contou com show do MR-13, formado por Lucas do Vale (MC Vale), Guilherme Genezere (MC Genésio), e Diogo de Britto (MC Rato) – os três também integram a organização da Batalha da Matrix. Eles cantaram músicas pesadas da sua primeira mixtape, “Antes de Mais Nada”, como Manicômio Madruga, Soco na Barriga e Crocodilo. Na sequência, os rappers do Nadidoiz cantaram as faixas mais pesadas do recém-lançado EP “Prefácio”.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

HEROIS DA CONVERSINHA

Joaquim Barbosa deve a Ação Penal 470 a conversinha de um réu, Roberto Jefferson

Paulo Moreira Leite  (Istoé)

As afirmações mais recentes de Joaquim Barbosa merecem dois reparos.
Referindo-se a entrevista de João Paulo Cunha, o presidente do STF disse que não costuma ficar de “ conversinha com réus.”
Em outro comentário, reclamou com os jornais que tratam os condenados da Ação Penal 470 como se fosse heróis, quando o lugar dos condenados deveria ser o ostracismo, que é parte da pena.
Começando pela “ conversinha com réus.” Joaquim Barbosa está sendo injusto. A principal testemunha da ação penal 470 é Roberto Jefferson.
Para empregar a liguagem de Joaquim, ele mostrou uma típica conversinha de réu, como notou o revisor Ricardo Lewandovski.
Pense no que seria o julgamento da AP 470 sem a “conversinha” do então presidente do PTB.
Pense na ideia de “ compra de votos".
Na voz de barítono gritando “ sai daí, Zé...sai.”
Pense na teoria do domínio do fato. Que nome dar a isso? Jurisprudência?
Ou é uma conversinha, uma reunião de indícios e personagens?
 Cadê as provas?
Comprometido pelo depoimento de um protegido nos Correios tão escancarado na captação de dinheiro alheio que foi capaz de embolsar R$ 3 000 de uma pessoa que nem conhecia, o réu Jefferson contra atacou de “mensalão.”
Pura conversinha.
Não deu provas. Mas a “ conversinha” de Jefferson, tão fraquinha que ele próprio entraria em contradição em outros depoimentos, chegando a dizer que mensalão era criação mental, acabou fazendo um tremendo sucesso.
Mas a conversinha de Jefferson era uma narrativa sob medida para uma denúncia que tinha provas fracas mas queria a penas fortes.
Olha só: foi na base dessa conversinha que o Ministério Público, o relator Joaquim Barbosa e tantos ministros falaram em “ compra de votos” embora não tenha surgido o nome de um único parlamentar vendido nem de um único projeto comprado.
E assim acabamos diante do “ maior escândalo de corrupção da história”
Eta conversinha boa, não?
No puro gogó Jefferson teve a pena reduzida pelos serviços prestados, embora não tenha revelado sequer o que fez com R$ 4 milhões que recebeu do esquema. O que se agradeceu? A conversinha.
Jefferson não foi conduzido a prisão em avião no 15 de novembro, embora outro condenado, em condições análogas, tenha sido embarcado e algemado – sem que nenhum médico tivesse feito uma avaliação adequada.
Deve ter sido para não estragar a conversinha de Jefferson que nada menos que 78 volumes do inquérito 2474 foram deixados de lado no julgamento. Provas, fatos, testemunhos e sabe-se mais o que foram ignorados – para não fazer ruído ou quem sabe para não atrasar um julgamento que muita gente achava indispensável que fosse realizado no ano eleitoral de 2012.
Sabemos hoje que nem a acusação contra Henrique Pizzolato, apontado e condenado como “ único responsável “ pelo desvio de R$ 73,8 milhões do Fundo Visanet, resiste aos documentos armazenados sem conversinha.
Prova-se que Pizzolato não agiu nem poderia ter agido sozinho. Sequer era o responsável pelos pagamentos.
No mínimo, teria de ser julgado como co-réu. Mas isso, claro, estragaria a conversinha da acusação, não é mesmo?
Da mesma forma, o relatório do delegado Luiz Fernando Zampronha...
Entende-se, portanto, porque o presidente do STF não quer saber de conversinha de réu.
Mas não se entende por que ele questiona a atenção que os jornais e revistas têm dado aos condenados da ação penal. É uma atenção modesta e especialmente tardia.
Os réus deveriam ter sido ouvidos antes do julgamento, quando poderiam explicar-se, dar argumentos, contrariar o que a acusação dizia. Numa cobertura tendenciosa e até facciosa, como reconhecem mestres do jornalismo, os meios de comunicação preferiram retirar seu direito ao contraditório ou, como se diz no jornalismo, ao outro lado.
Dar a palavra aos condenados, hoje, é uma obrigação. A população tem o direito de saber o que têm a dizer.
Embora a legislação reserve ao juiz da Vara de Execução Penal o direito de autorizar ou vetar entrevistas de condenados, é bom não confundir as coisas.
Ao proibir entrevistas, o que se faz é censurar a liberdade de expressão. Salvo casos que colocam a segurança dos condenados em risco, não vejo justificativa razoável.
Por que a proibição?
Medo da conversinha?
Joaquim disse:
"Eu tenho algo a dizer: eu acho que a imprensa brasileira presta um grande desserviço ao país ao abrir suas páginas nobres a pessoas condenadas por corrupção. Pessoas condenadas por corrupção devem ficar no ostracismo. Faz parte da pena. No Brasil, estamos assistindo à glorificação de pessoas condenadas por corrupção à medida em que os jornais abrem suas páginas a essas pessoas como se fossem verdadeiros heróis".
É curioso o presidente do STF achar que não possam existir heróis entre os condenados da ação penal 470.
Heróis são personagens históricos, reconhecidos, em última análise, pelo povo de um país. Estão além dos tribunais, dos governos, dos homens de fortuna. .
Um tribunal pode ou não mandar prendê-los. Pode dizer que são criminosos de alta periculosidade. Podia, no passado, até aplicar penas de banimento.
Mas não pode decidir seu lugar na memória de um país. Nelson Mandela enfrentou 25 anos de cadeia antes de se tornar o principal herói africano. Passou 20 como criminoso e terrorista.
Foi alvo de ataques permanentes da elite de seu país e também das potencias internacionais, lideradas por Ronald Reagan e Margareth Thatcher, interessadas na manutenção do apartheid. Nos primeiros diálogos com Mandela, uma comitiva de Thatcher concluiu que, “infelizmente, ele não aprendeu nada após ficar duas décadas na prisão”. Pois é. Eles achavam que a cadeia deveria reeducar.
Um tribunal não pode negar ao povo de um país a última palavra sobre homens e mulheres que fizeram sua história.
José Genoíno foi tratado como criminoso pelos tribunais da ditadura, aqueles que não tiveram dignidade para investigar suas denúncias de tortura. Saiu da prisão como herói.
José Dirceu ficou um ano preso sem julgamento porque, sem prova nenhuma para acusá-lo, a Justiça Militar temia que fosse obrigada a declarar sua inocência e não marcava julgamento. Voltou do exílio para receber homenagens, reunir multidões, liderar.
Condenados pela ação penal 470, ninguém sabe o destino que terão.
No final do século XIX, na França, o capitão Alfred Dreyfus foi condenado por alta traição num julgamento de 72 horas. Quando acharam que era pouco, seus juízes decidiram que ficasse preso a ferros, nos pulsos e nos tornozelos, sob o sol da Ilha do Diabo. Era tortura, ainda que, na época, chamassem isso de castigo.
Bastaram dois anos e alguns personagens decentes para que sua inocência ficasse demonstrada.
Mas foram necessários dez anos para que, por decisão presidencial, ele fosse colocado em liberdade.
Dreyfus não era um herói. Mas tornou-se um símbolo da resistência dos franceses contra o antissemitismo, a favor da democracia e da separação da Igreja e do Estado.
Dirceu, Genoino, serão heróis? Símbolos?
Não sei. Ninguém sabe.
Não há hipótese, no entanto, de que venham a cair no ostracismo, como deseja Joaquim Barbosa. Isso não se resolve por decreto.
Ele pode proibir entrevistas, pode pressionar os jornais. Quando Genoino era torturado, eles prestavam serviços de todo tipo à repressão.
Veiculavam histórias forjadas, sob medida para acobertar assassinatos. Ajudaram o golpe militar.
Nós sabemos que nunca faltarão covardes para abaixar a cabeça diante de uma voz autoritária.
Mas o lugar dos homens e mulheres que souberam ligar-se a história de um povo está assegurado e ninguém vai apagar isso. Nem muita conversinha.
http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE

Assim caminha a impunidade



Meio na surdina, como convém a processos do alto tucanato, a Justiça livrou mais um envolvido no chamado mensalão mineiro. O ex-ministro e ex-vice-governador Walfrido dos Mares Guia safou-se da acusação de peculato e formação de quadrilha, graças ao artifício de prescrição de crimes quando o réu completa 70 anos. Já se dá como praticamente certa a absolvição, em breve, de outro réu no escândalo. Trata-se de Cláudio Mourão, ex-tesoureiro da campanha do PSDB ao governo mineiro em 1998. Ao fazer 70 anos em abril, Mourão terá direito ao mesmo benefício invocado por Mares Guia.
Vários pesos, várias medidas. Enquanto o chamado mensalão petista foi julgado com celeridade (considerado o padrão nacional) e na mesma, e única, instância suprema, o processo dos tucanos recebe tratamento bastante diferente. Doze anos (isso mesmo, doze!) separam a ocorrência do desvio de dinheiro para o caixa da campanha de Eduardo Azeredo (1998) da aceitação da denúncia (2010). Com o processo desmembrado em várias instâncias, os réus vêm sendo bafejados pelo turbilhão de recursos judiciais.
Daí para novas prescrições de penas ou protelações intermináveis, é questão de tempo. Isso sem falar de situações curiosas. O publicitário Marcos Valério, considerado o operador da maracutaia em Minas, já foi condenado pelo mensalão petista. Permanece, contudo, apenas como réu no processo de Azeredo, embora os fatos que embasaram as denúncias contra o PSDB mineiro tenham acontecido muito antes.
Se na Justiça mineira o processo caminha a passo de cágado, no Supremo a situação não é muito animadora. A ação contra Azeredo chegou ao STF em 2003. Está parada até agora. Diz-se que o novo relator, o ministro Barroso, pretende acelerar os trabalhos para que o plenário examine o assunto ainda este ano. Algo a conferir.
Certo mesmo é o contraste gritante no tratamento destinado a casos similares. Em todos os sentidos. Tome-se o barulho em torno de um suposto telefonema do ex-ministro José Dirceu de dentro da cadeia. Poucos condenam o abuso de manter encarcerado um preso com direito a regime semiaberto. Isso parece não interessar. Importa sim reabrir uma investigação sobre uso de celular, que aliás já havia sido arquivada. Resultado: com a nova decisão, por pelo menos mais um mês Dirceu perde o direito de trabalhar fora da Papuda.
Por mais que se queira, é muito difícil falar de imparcialidade diante de tais fatos, que não são os únicos. As denúncias relativas à roubalheira envolvendo trens, metrô e correlatos, perpetrada em sucessivos governos do PSDB, continuam a salvo de uma investigação séria. Isso apesar da farta documentação colocada à disposição do público nas últimas semanas. Vê-se apenas o jogo de empurra e muita, muita encenação. Alguém sabe, por exemplo, que fim levou a comissão criada pelo governo de São Paulo para supostamente investigar os crimes? Silêncio ensurdecedor. Mesmo assim, cabe manter alguma esperança na Justiça -desde que seja a da Suíça.
*
Depois da operação estapafúrdia na cracolândia e dos acontecimentos nas manifestações de sábado, ou o governador Geraldo Alckmin toma alguma providência para disciplinar suas polícias, ou em breve ele terá aquilo que todo governante sempre deveria temer: um cadáver transformado em mártir.
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardomelo/2014/01/1403255-assim-caminha-a-impunidade.shtml
ricardo meloRicardo Melo, 58, é jornalista.

domingo, 26 de janeiro de 2014

PANICOPAS (FANATICOS ANTI-COPA) SOU CONTRA

PENSO SER COMPLETAMENTE FORA DE PROPÓSITO ESSA CAMPANHA ANTI COPA NO BRASIL. E POR CONTA DISSO ME PROPONHO A COMBATER AS APRECIAÇÕES NESSE SENTIDO QUE DESPREZAM O BOM SENSO, O AMOR POR NOSSO PAÍS E EM RESUMO O AMOR POR NÓS MESMOS BRASILEIROS.
As manifestações anti Copa marcadas para este sábado 25/01/2014 em todo o país tiveram o seguinte resultado:1.500 em São Paulo (pode ser bem menos), 150 no Rio e 100 em Recife. Esse contingente expressivo (?) de manifestantes garante que não ter Copa no Brasil. (Carta Maior)

Existem bons textos a esse respeito e vou citá-los aqui, da mesma forma que as fontes. Começo com o discurso da Presidente Dilma Roussef em Davos em que defendeu o modelo brasileiro de desenvolvimento brasileiro com inclusão social e termina convidando a todos para a Copa
(...)

Como eu disse até aqui, o Brasil mais que precisa e mais que quer a parceria com o investimento privado nacional e externo. O Brasil convida todos a ela. E, antes de terminar, quero aproveitar e convidar todos vocês para a Copa do Mundo, a Copa das Copas, que nós realizaremos agora em junho no Brasil. E também aproveito e convido para as Olimpíadas em 2016. O Brasil é o país do futebol. Nós amamos futebol e temos certeza que junto com outros países do mundo – eu não ousarei dizer com todos, mas eu quero dizer com a ampla maioria dos países do mundo – nós temos no futebol uma das formas mais importantes de afirmação da paz, mais importantes de afirmação, também, da luta contra os preconceitos, sejam eles quais forem.

Quero dizer aos senhores que nós estamos preparados para essa Copa. Os investimentos que eu relatei aqui são também investimentos para essa Copa, para esse evento, mas são, sobretudo, investimentos, originados da necessidade do país. E quero dizer que estamos de braços abertos pra receber todos os visitantes, de norte a sul e de leste a oeste do meu país.
na íntegra:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Dilma-defende-modelo-social-brasileiro-em-Davos/4/30081

Em seguida outro texto que discute Como a desinformação alimenta o festival de besteiras ditas contra a Copa do Mundo de Futebol no Brasil.
E os principais argumentos para combater essa idéia Anti Copa
http://www.cartamaior.com.br/?/Coluna/Vai-ter-Copa-argumentos-para-enfrentar-quem-torce-contra-o-Brasil/30090

Mais um:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Copa-e-anti-copa/4/29942

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

DIREITOS PARA TODOS HUMANOS

Pode ser difícil admitir mas atual perversidade dos criminosos começou no Estado .

Por Paulo Moreira Leite (http://www.istoe.com.br/colunas-e-blogs/colunista/48_PAULO+MOREIRA+LEITE)

As cenas de pavor produzidas na penitenciaria de Pedrinhas, no Maranhão, colocam uma pergunta civilizatória: quem tornou nossos criminosos tão criminosos, tão perversos, mais cruéis do que nossa imaginação seria capaz de adivinhar?
Engana-se quem fala nas condições sócio-economicas. O Brasil está melhorando na última década, em especial para os mais pobres.
Engana-se quem fala que bandido bom é bandido morto, pregando uma escola de violência que não deu certo e nunca dará.
A perversidade do crime brasileiro tem uma origem conhecida que, como símbolo, vou definir por um nome: capitão Ubiratã.
Ele mesmo, o oficial da PM que comandou o massacre do Carandiru, marco histórico da violência do Estado, que deveria zelar pela vida e pelos direitos de toda pessoa que é mantida sob sua guarda. Estou falando de um símbolo, de uma postura, uma ideia – não de uma pessoa física. Você pode colocar outros nomes reais: secretários de Estado, governadores, Ministros... É só escolher.
 
Quem for atrás do degrau atual da criminalidade brasileira irá encontrar um nome: a facção criminosa PCC. E quem for atrás do PCC irá encontrar outro nome: Carandiru.
 
Competente repórter a estudar o assunto, Josmar Jozimo, com passagens respeitáveis pelas editorias de polícia dos principais jornais de São Paulo, escreveu até um livro sobre a facção criminosa. O que importa registrar é o seguinte: o PCC se forma, inicia suas primeiras ações e atos de crueldade – fuzilar diretores de presídio, explodir automóveis, cortar cabeças e assim por diante – como uma resposta ao massacre de Carandiru.
 
Pois é, meus amigos. A lição a ser aprendida é assim: a violência do Estado atingiu um patamar tão baixo, tão grotesco, tão inaceitável, que obrigou os criminosos, individualistas por natureza, dispersos e competitivos por vocação, a se organizar, a criar disciplina e mesmo definir objetivos que são – sim – de natureza política.
Esqueça por um instante o tráfico de drogas, o controle dos presídios, a chantagem sobre as famílias. São motivações econômicas. O que está na origem da facção criminosa, o que dá força a sua liderança, é a capacidade de dar resposta ao Estado. Não tem nada a ver com exemplos de grupos que praticavam a luta armada contra o regime militar.
É selvageria em estado bruto. Olho por olho, dente por dente. Por isso, porque fala a linguagem de Carandiru, Ubiratã, e tantos outros, ela é obedecida e temida.
Quem quiser entender a barbárie atual pode voltar aos textos do professor Antonio Flavio Pierucci, aquele que pesquisou o nascimento de uma classe média conservadora no início da democratização do país – e que se mostrava escandalizada com a política de direitos humanos. Chamava de mordomia todo esforço para melhorar a vida no cárcere, de proibir a tortura e as execuções sumárias. Aplaudia a violência e pedia mais, sempre mais. Comemorava fuzilamentos.
 
Chegamos aonde era fácil ver que iríamos chegar. O tratamento desumano está institucionalizado. As prisões são um inferno tão previsível que é preciso encontrar algo que chama a atenção. Se não fossem as cabeças decepadas, da menina de 6 anos incendiada de forma criminosa, quem estaria falando de Pedrinhas? Alguns advogados que são considerados uns chatos, uns padres que deveriam pensar em coisa melhor...
Os prisioneiros foram rebaixados a animais para serem explorados, cotidianamente, como gado. Sua fome alimenta quem desvia verbas, sua penuria serve a quem faz negocios intermediários. Sem direito a palavra, ao Direito e a outros recursos da civilização, não falam.
Preferem atos repugnantes: machucam, matam, torturam. Olho por olho, dente por dente. Esta é a realidade em que nos encontramos e da qual o país não irá sair sem uma grande mudança. Não precisamos de homens providenciais.
Precisamos de políticas que respeitem nossos valores – para que eles sejam respeitados. Isso implica em cadeias que não sejam hotéis mas também não sejam jaulas nem chiqueiros. Numa justiça capaz de atender o pobre, o sem recurso e sem oportunidade. Isso implica em dinheiro, envolve sacrifício, exige enfrentar aquela parcela influente, rica e profundamente ignorante de cidadãos que não entenderam nada desde que numa aventura parisiense do século XVIII a humanidade aprendeu que todos os homens são iguais – e sem entender isso, fica difícil entender qualquer coisa, ainda mais quando se fala de liberdade, de respeito, direitos.
Se queremos conviver com humanos, não podemos tratar homens e mulheres como animais. Nenhum de nós tem culpa. Mas a responsabilidade, não custa lembrar, é nossa.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Midia Ninja: É dever do estado também promover a diversidade de opiniões


Mídia Ninja: 'Tomar posição sem vestir manto da falsa imparcialidade da grande mídia'

O ao vivo sem pós-produção da Mídia Ninja é capaz de despertar debates sem o aval da mesma mídia que está, hoje, enxugando suas redações e precarizando seus funcionários. Em entrevista à Carta Maior, os ninjas reclamam da falta de um marco regulatório da mídia e dizem que "a ausência de regulação dificulta o exercício da liberdade de expressão da população."


A simultânea crise e consolidação dos veículos tradicionais também recebe no seu seio mídias agora reconhecidas como alternativas. Com modo de expor particular: o fato tal como ele se dá e "se dando". O "ao vivo" sem pós-produção. O debate, então, é aberto obrigatoriamente sem aval da mesma grande mídia que está, hoje, enxugando suas redações e precarizando seus funcionários. 
Desponta um grupo dentre estes que são conhecidos como meios alternativos de informação: o Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação). O grupo cedeu entrevista por e-mail à Carta Maior e nos contou sobre sua configuração e posição políticas. 


A iniciativa fala de dar poder aos novos protagonistas da realidade brasileira, mas também o posicionamento do mercado e Estado traz questionamentos que deverão seguir no horizonte dessa mídia que mesmo incipiente tem seu importante papel. Aprofundar e efetivar a liberdade de expressão para além do capital passa a ser hoje uma das principais pautas da expansão da democracia.



Carta Maior: Quando se iniciaram as atividades do grupo? Quantas pessoas participam do grupo e como são coordenadas suas atividades?



Mídia Ninja: O Ninja surge a partir de um acúmulo de mais de 15 anos de produção midialivrista no Brasil, de experiências que vão desde os fanzines e da blogosfera ao Fora do Eixo, rede que está em mais de 200 cidade no país e vem desenvolvendo tecnologias de comunicação e produção de conteúdo há 7 anos. Nesse processo aproximou de si outras redes, coletivos, jornalistas e midialivristas que, juntos, deram início a um projeto que ao mesmo tempo conseguiu que se fortalecesse um veiculo independente, como também catalisar uma rede de comunicação autônoma que usufrui dos frutos e ferramentas desenvolvidas durante esse histórico.



Hoje ele é uma rede descentralizada de comunicadores que buscam novas possibilidades de produção e distribuição de informação. São milhares de pessoas usando a lógica colaborativa de compartilhamento que emerge da sociedade em rede como premissa e ferramenta. A iniciativa veio à tona há meses atrás, durante a cobertura do Fórum Mundial de Mídia Livre na Tunísia. Desde então, o Ninja vem realizando coberturas por todo Brasil, apresentando pautas e abordagens omitidas na mídia tradicional.



CM: Qual, na opinião de vocês, é a função das narrativas independentes? De que maneira vocês quiseram retratar os atos e protestos dos últimos dois meses?



MN: A função das narrativas independentes é dar poder a cada vez mais gente para contar histórias a partir do ponto de vista do que estão vivendo. Mais do que uma ferramenta, é uma noção que ajuda a dimensionar a comunicação como serviço de utilidade pública.



Além de comunicadores, somos ativistas também. Quando fomos fazer a cobertura da vinda do Papa ao Brasil por exemplo, direcionamos o nosso olhar para entender quem era contra a visita de Francisco, não contra a religião, mas que protestava pela ausência de um Estado laico.



Logo, as nossas coberturas sempre explicitarão aquilo que de fato estamos vendo e vivendo. Nós também tomamos bombas em protesto, dois de nós já foram presos apenas por estar exercendo o direito à comunicação. Quando fazemos a cobertura de um protesto indígena ou quilombola, estamos de fato envolvido com aquela pauta, não se ganha legitimidade com quem está nas ruas apenas com discurso, a nossa prática de mídia precisa estar com a frequência modulada com o espaço-tempo da nossa geração.



CM: O que pensam do Marco Regulatório da Mídia? Como vocês veem o problema da mídia no Brasil?



MN: A ausência de regulação dificulta o exercício da liberdade de expressão da população, e favorece a existência de oligopólios que tanto comprometem a pluralidade nos conteúdos que são veiculados quanto a independência nas pautas.



Outro ponto: a falta de um marco regulatório não condiz com o contexto político, que apresenta o empoderamento de uma nova geração de protagonistas. As possibilidades que temos com a tecnologia disponível hoje em dia e as possibilidades de democratização da produção de conteúdo também não são contempladas.



É dever do estado também promover a diversidade de opiniões. Uma lei contribuiria necessariamente para a não criminalização dos movimentos sociais, por exemplo. Além de garantir a diversidade e o direito de manifestação e liberdade de expressão, distribuindo de forma mais equânime e democrática o recurso público ou o espectro eletromagnético.



Da forma que está hoje, a Globo recebe uma porcentagem gigantesca das verbas de publicidade do governo e uma emissora como a Jovem Pan ocupa uma faixa de espectro equivalente a de centenas de rádios comunitárias.



CM: De que maneira vocês se colocam no debate político hoje?



MN: A mídia livre é um ato político, e todo ato precede necessariamente de um debate. Tomar uma posição diante do que estamos cobrindo sem vestir o manto da falsa imparcialidade da grande mídia já é uma forma de se colocar.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Reforma Política: Entenda as propostas do PT

Desde o início deste ano, o Partido dos Trabalhadores está empenhado na mobilização de assinaturas da sociedade brasileira em favor do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a Reforma Política. Objetivo é reformular a maneira de se fazer política do Brasil, tornando o sistema mais democrático e transparente. De acordo com o PT, os quatro pontos principais da reforma são: o financiamento público exclusivo para campanhas, o voto em lista preordenada, ampliação da participação feminina nas candidaturas e a convocação de Assembléia Constituinte Exclusiva.
Para compreender melhor sobre cada um dos temas, a TVPT preparou um vídeo explicativo sobre as propostas do PT em relação à Reforma Política, que também aborda a questão do plebiscito, levantado pela presidenta Dilma Rousseff.

REFORMA POLÍTICA: PLEBISCITO JÁ

Do Folha
06/07/2013 - 03h30

Breno Altman: Para reinventar a democracia

Os dois argumentos principais contra o plebiscito para reforma política transitam entre o cinismo e a demofobia. O primeiro deles é que, nas ruas, poucos pediram alteração do sistema institucional --apesar do apoio de 68% dos eleitores, detectado por pesquisas como a do Datafolha, à proposta da presidente Dilma Rousseff.















































O segundo alega que sobra complexidade técnica e falta tempo para que o povo se pronuncie acerca do tema antes de 2014, sugerindo que deveria ser deixado para os conciliábulos do Parlamento. Na melhor das hipóteses, depois de fechado o pacote, os eleitores seriam chamados a referendá-lo.
Ambos os raciocínios afundam na mesma areia movediça ao desconsiderarem que a cultura da qual emanam múltiplos movimentos e reivindicações é fruto da ruptura entre a vontade popular e as instituições políticas.
Quando acenou para a abertura de processo constituinte, por meio de consulta à cidadania, a chefe de Estado não se limitou a bandeiras desfraldadas nas manifestações. De forma audaciosa, exigiu a refundação política da República, calibrada pelo protagonismo direto dos cidadãos.
Mesmo que a ideia original tenha sido modificada, o plebiscito sobre reforma política é caminho que vai além de ouvir as ruas, pois a essas devolve o poder originário previsto na Constituição. Sem esse passo, qualquer outra iniciativa será parte do surrado axioma de que algo deve mudar para tudo permanecer como está.
Essa ferramenta pode liquidar o ordenamento autoritário, herança da transição conservadora à democracia. Salvo em processos eleitorais, a cidadania possui canais pobres de participação, apesar da sofisticada rede de organização da sociedade.
As atuais regras eleitorais --com financiamento empresarial, proibição de doações sindicais e voto uninominal-- facilitam a influência de grupos econômicos, diluem o confronto político-ideológico entre projetos e preservam históricas relações de clientelismo, tão preciosas ao poder de coronéis rurais e urbanos.
A interdição de contribuições empresariais e a implementação do voto em lista certamente constituiriam golpe duro contra essa faceta da ordem política. Aparte limpeza nos modos e costumes, tal reforma tenderia a transformar o voto nas eleições parlamentares em opção mais clara quanto a programas e partidos.
O avanço poderia ser maior, contudo, se houvesse decisão de ir à raiz do problema, ampliando o território da soberania popular. A possibilidade de convocar plebiscitos impositivos por iniciativa dos próprios cidadãos, por exemplo, desde que apoiada por percentual mínimo de eleitores, estenderia as fronteiras democráticas.
Apenas o Parlamento, atualmente, detém essa prerrogativa. Ainda assim, seus resultados estão sujeitos à confirmação de deputados e senadores. Se o presidente da República também pudesse convocar plebiscitos, muitas das mazelas que caracterizam as negociações entre Poderes estariam fulminadas. Decide, em última instância, a cidadania soberana.
Ares frescos seriam igualmente lufados se houvesse recurso ao voto popular para o impedimento de governantes e parlamentares. Os norte-americanos chamam isso de recall, os venezuelanos também o aplicam e tem se mostrado eficaz mecanismo de controle do eleitorado sobre seus representantes.
O fato é que a rebelião popular e juvenil iniciada em junho desnudou a putrefação e o emperramento do sistema político. As ruas lutam por mais democracia para reposicionar o Estado. O plebiscito se apresenta como passo indispensável para varrer entulhos oligárquicos.




BRENO ALTMAN, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista "Samuel"

Cenário de 2014 mudou, mas é ilusão acreditar que PT e governo ficarão imobilizados

Do Blog do Zé Dirceu
Publicado em 08-Jul-2013

Muito tem se falado das mudanças no cenário eleitoral de 2014 após as manifestações nas ruas do mês de junho. Neste fim de semana, por exemplo, os jornalões destacaram que as alianças em torno da candidatura da presidenta Dilma Rousseff estão seriamente ameaçadas.

É evidente que o cenário de 2014 mudou, mas ainda é cedo para saber o quanto e em que direção. Há muita gente indo ao pote com muita sede, mas nada indica que serão beneficiados, já que uma candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, tira votos de Marina Silva, beneficiada com a queda da presidenta, e de Aécio, que é pré-candidato com o partido dividido. Fora o fato de que Serra é candidatíssimo.

Dilma, Lula e o PT, com mais ou menos aliados, ainda são os favoritos e há muita água para passar embaixo da ponte até julho do ano que vem. O cenário de uma economia em dificuldades e a presidenta perdendo a popularidade, que era apresentado como uma condição por importantes dirigentes do PSB para lançarem-se à disputa, agora é um fato. Resta saber se o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, será ou não candidato e com quem vai se aliar.

A ilusão de quem pegou carona eleitoral nas manifestações

Acreditar no cenário com Lula e o PT sem reagir aos adversários, que não foram poupados nas manifestações de junho, e o governo imobilizado – que deve aproveitar a crise política e se reformar – é ilusão típica de quem pegou carona nas manifestações com o único objetivo de desgastá-lo e desestabilizá-lo, além de se aproveitar eleitoralmente dos protestos legítimos e com uma pauta que agora a oposição e seus aliados na mídia rejeitam: o plebiscito e reforma política contra a corrupção, mais Estado, mais e melhores serviços de saúde e educação, transporte, cultura e lazer. Menos preconceito, mais democracia.

Não querem o plebiscito porque temem o debate sem a mediação e a intermediação dos donos da mídia sobre o Estado brasileiro e a sua reforma, sobre política de gestão, sobre a crise mundial e seus reflexos no Brasil, sobre as manifestações e suas causas.

Escondem que são contra a reforma política e contra mais Estado, são a favor da privatização, do corte de gastos. Inclusive na saúde e na educação, nas quais cada dia têm mais negócios, como o grupo Abril –  ponta de lança do conservadorismo, não apenas político, mas social e moral –,  que se opôs, por exemplo,  ao desarmamento, deixando o pais desarmado frente à violência que hoje domina cidades como São Paulo, sede da revista VEJA, que agora se opõe à consulta popular, propõe o fim do voto universal, estimula o golpismo e sonha com a volta do tucanato no poder, quando mandava e desmandava no governo.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Lindbergh: projeto pode reduzir em até 15% no preço das passagens

O projeto para a redução da tarifa dos transportes públicos, por meio da desoneração tributária deverá ser apreciado e votado na Comissão de assuntos Econômicos do Senado (CAE) na próxima reunião do colegiado, no dia 25 de junho.

Nesta terça-feira (18), o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou seu parecer favorável à proposta, que institui o Regime Especial de Incentivos para o Transporte Coletivo Urbano e Metropolitano de Passageiros (REITUP).
Segundo senador, a intenção, agora, é negociar o projeto com as três esferas de governo e com os estudantes e aprová-lo na próxima terça-feira na CAE, onde a matéria tramita em caráter terminativo. Lindbergh apelou aos membros da Comissão para que tenham sensibilidade e agilizem a votação da matéria, lembrando a importância de “escutar a voz que vem das ruas e estabelecer o dialogo” sobre a melhoria e o barateamento do transporte público—reivindicação que desencadeou a série de manifestações que tem levado milhares de pessoas às ruas, desde a semana passada. Lindbergh estima que o REITUP poderá assegurar uma redução de até 15% no valor das passagens.
A desoneração tributária instituída pelo REITUP não é automática, mas condicionada a uma série de contrapartidas a serem observadas pelos estados, municípios e empresas concessionárias do serviço. Os governos e empresas que aderirem terão isenção das contribuições para o PIS/PASEP, COFINS, CIDE e desoneração da folha de pagamentos, entre outras. Em troca, terão que reduzir as tarifas (empresas), instalar um conselho de transportes e elaborar um laudo demonstrando o impacto dos incentivos concedidos e determinando os valores máximos das tarifas para as empresas que aderirem ao novo regime.
O projeto também determina que, anualmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realize um censo dos usuários do transportes públicos urbanos. “A proposta é de inegável importância e se soma aos esforços já empreendidos pelo Governo Federal e por diversos governos locais para a redução das tarifas de transporte público”, avalia Lindbergh. Ele lembra que, além da redução da tarifa unitária, a instituição de programas como o bilhete único são essenciais para reduzir o custo do transporte para o trabalhador.
“A racionalização, e principalmente, a redução das tarifas para o usuário final é uma medida de caráter nitidamente progressivo, que vai beneficiar especialmente a população de baixa renda, que é quem mais depende dos transporte coletivos”. Lindbergh alertou, ainda, que as manifestações nas ruas nas principais capitais “são demonstrações inequívocas da urgência que o tema requer, e do caráter meritório deste projeto”.
(PT no Senado)

Manifestação 100 mil no Rio junho 2013

A multidão na Avenida Rio Branco, no RJ
Enviado por luisnassif, ter, 18/06/2013 - 13:00
Por XAD

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Passe livremente

A luta pelo passe livre para estudantes no sistema de transportes públicos do país e contra aumentos de tarifas é histórica no país e sempre contou com ampla participação e apoio de petistas.

O que faz da atual onda de manifestações por todo o país uma excepcionalidade é um conjunto de características conjugadas que a tornam um elemento importante da presente conjuntura dos movimentos sociais no Brasil e um tema digno de estudo e aprofundamento.
Apontaria quatro ou cinco dessas características dignas de nota.
Em primeiro lugar, trata-se de manifestações em que as formas tradicionais de organização política da juventude - entidades estudantis, sindicatos, partidos - não possuem uma hegemonia e um comando (pré-)estabelecido sobre as manifestações. Em oportunidades anteriores, esses movimentos tinham uma direção mais definida, reconhecida e até certo ponto previsível. Em outras, as perspectivas autonomistas e/ou movimentistas eram menos influentes que hoje.
Em segundo lugar, chama a atenção as relações mais horizontalizadas e descentralizadas estabelecidas no processo de convocação e realização das manifestações, com fortíssimo uso das redes sociais como elementos de debate político e mobilização social. A autonomia das várias organizações e agrupamentos, quase que colunas do mesmo movimento, foi verificada em vários momentos das manifestações, como alternativa à repressão policial em alguns momentos, como protagonista de iniciativas isoladas em outros.
A composição social da massa de jovens envolvidas nas manifestações é profundamente heterogênea, ultrapassando a base tradicional do movimento estudantil e abrindo-se à participação de múltiplas formas de expressão da juventude, da juventude da periferia das grandes cidades e estudantes das escolas públicas e particulares de renda mais elevada.
Outro elemento a destacar é que as formas radicalizadas de luta das manifestações - a ação direta, a desobediência civil, a firmeza permanente e outras do arsenal tradicional das esquerdas e dos movimentos sociais - são exercidas, por um lado, sob direção das parcelas organizadas em movimentos estudantis e partidos, e, por outro, com o vigor da primeira experiência, para a amplíssima maioria dos participantes, de luta social. Episódios isolados de violência, motivados por pequenos grupos de militantes políticos, infiltrados de direita ou excessos de novatos, não são novidade em movimentos de massa e muito menos podem definir sua natureza.
O comportamento da mídia mantém o tripé de sempre - o oportunismo de explorar politicamente o movimento de massas como oposição aos governos do PT, a estigmatização e criminalização dos movimentos sociais e suas lideranças e a legitimação dos atos de violência policial - mas agrega uma novidade essencial. Justamente verificando a falta de identidade política e a ampla participação de jovens cujo senso comum é a rejeição à política, aos partidos e aos políticos em geral, a mídia privada passa a disputar os rumos do movimento de massas. E o faz de modo a amplificar as críticas ao governo central, à gestão Haddad e ao PT, para o que somam tanto o discurso dos partidos de oposição de esquerda quanto o senso comum da direita, ao mesmo tempo em que apresenta de forma seletiva lideranças e bandeiras do movimento. Para esses segmentos da mídia, transformar a insatisfação genérica dos manifestantes em oposição orgânica e ideológica ao projeto petista e nossos governos passou a ser uma estratégia perseguida nos últimos dias, tanto na cobertura dos eventos internacionais em solidariedade aos manifestantes quanto dos atos pelo país.
Mas há ainda um último ingrediente a destacar, que nos diz diretamente respeito. A reação conservadora no meio petista a estas manifestações foi algo sem precedentes, a começar das autoridades de vários escalões de governo, passando por parlamentares e dirigentes partidários. Vários petistas fizeram eco à linha inicial de estigmatização, desqualificação e criminalização das manifestações e suas lideranças, não só constrangendo a militância petista envolvida diretamente nas manifestações e nos movimentos sociais, como facilitando o trabalho anti-petista que, nestas ocasiões, confunde e unifica as posições de esquerda e de direita assacadas contra nós.
Nas ruas, e solidários a eles, milhares de simpatizantes do PT, eleitores de Dilma e Haddad se perguntaram durante dias como não manifestávamos solidariedade aos jovens, onde estavam os defensores de direitos humanos contra a violência policial, como reproduzíamos clichês conservadores que sempre foram usados contra nós.
Penso que uma reação sadia se instalou no PT a partir dessa perplexidade coletiva, e permite não só uma auto-crítica coletiva como a necessária correção desta atitude. As bandeiras do PT não deixaram de ser erguidas, em pequeno número e timidamente, por jovens e manifestantes que acreditam que a nossa presença nos movimentos sociais e na luta popular é parte essencial de nosso passado, de nosso presente e do nosso futuro, pois corresponde a uma estratégia histórica de construção socialista que corresponde à nossa própria essência.
A emergência desses movimentos e a irrupção na cena política nacional e internacional devem ser vistas como fatos positivos a desafiar nossa reflexão e ação partidária. Disputar rumos desses movimentos, politizar nossas relações com a juventude, ampliar o diálogo político-ideológico com os beneficiários das conquistas sociais de nossos governos e identificar nossas falhas e limitações são atitudes fundamentais que se esperam do PT neste momento.
Foi-nos fornecida uma oportunidade de enfrentar temas como a vida nas cidades, os limites de nossas politicas urbanas, nossas propostas para revolucionar o transporte coletivo na maior cidade e nos grandes centros metropolitanos do Brasil, seu financiamento e controle social. Temas para os quais estamos preparados, e para os quais os movimentos sociais sempre foram nossos parceiros e companheiros.
O protagonismo da juventude brasileira no processo de transformação social é obstaculizado por décadas de dominação ideológica, de pregação neoliberal nas telas das TVs e nos bancos escolares, de repressão às camadas populares e de negação de direitos sociais que começam a ser alcançados por meio das políticas econômicas e sociais do nosso governo e pela sua própria luta. Como deixar de reconhecer como salutar que se ponha em movimento e de chamar esse segmento a um maior processo de debate?
Cabe ao PT entender esse processo, dialogar positivamente com ele e disputar seus rumos - como, aliás, deve-se fazer com os nossos governos. Essa juventude que está nas ruas já é parte importante do presente e futuro da luta social no Brasil.
Renato Simões é secretário nacional de Movimentos Sociais do PT.
http://www.pt.org.br/noticias/view/artigo_passe_livremente_por_renato_simoes

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A verdadeira agenda e os interesses da revista "The Economist"

Do Carta Maior

Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”. Na verdade, essa publicação é um órgão ideológico e um instrumento político do capital transnacional que busca ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial. O mais recente "capricho" da The Economist é querer derrubar o ministro Guido Mantega. Por Dario Pignotti.

“Nenhuma organização midiática carece de um conjunto de conteúdos para demarcar a agenda (que está ligada a seu país de origem)...nem a BBC, nem a CNN prejudicariam os interesses nacionais” da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, respectivamente, afirmou Liu Chi, editora-chefe da CCTV, a televisão estatal da China, que destinou 8,5 bilhões de dólares para a expansão de seu sistema de informações destinado especialmente ao público ocidental.

A tese de Liu Chi, sobre o vínculo umbilical entre grandes meios de comunicação, de projeção global, e seus interesses nacionais, é perfeitamente aplicável ao influente, mas já não tão infalível New York Times (que teve a credibilidade arranhada após seu alinhamento patriótico com George W. Bush, na Guerra do Golfo), ao The Wall Street Journal, ao Financial Times e também a essa velha dama de ferro do jornalismo, The Economist, que retornou ao centro da agenda noticiosa brasileira com seus disparos dirigidos contra o ministro Guido Mantega.

Ainda que antiga, a revista que este ano celebra seu 170º aniversário, não perdeu o ímpeto e segue pressionando de modo um tanto imperial as potências emergentes, aqueles países que, em sua opinião, precisam receber lições sobre como superar a idade da barbárie econômica (leia-se: populismo, desenvolvimentismo, nacionalismo, intervencionismo, esquerdismo, distribucionismo) para chegar a um estado civilizatório superior: o do livre mercado absoluto.

Por sua fé neoliberal (ou liberal, simplesmente), The Economist às vezes evoca aquela Margaret Thatcher enlouquecida na “missão” de impor seu modelo e os interesses representados pelo Partido Conservador, em uma cruzada tão exitosa que acabou por deglutir o ideário econômico dos outrora reformistas quadros do Partido Trabalhista, degradados na figura de Tony Blair ao triste papel de mensageiros do decálogo neoliberal.

A falecida primeira ministra Thatcher, provinciana e pouco erudita, aplicou na Grã Bretanha a política mais regressiva desde o pós-guerra por meio de reformas (melhor seria chamá-las de contrarreformas) legislativas e uma repressão pinochetista contra os mineiros que tentaram, em vão, impor algum freio a sua agenda em defesa de um Estado mínimo.

Bem escrita, cuidadosa nos adjetivos que usa, editada com maestria, refinada, mordaz e, sobretudo, anglo-saxã: The Economist é um produto de qualidade, muito distinto do às vezes vetusto The Wall Street Journal.

Mas essa fleuma não impede que The Economist seja um órgão ideológico e um instrumento político com seu programa e seus objetivos, como qualquer meio de comunicação de porte global. Seu compromisso é impor sua agenda radical no debate econômico e aniquilar todo vestígio do que considera ser populismo estatista.

Seu último capricho, que põe a prova sua capacidade de pressão, parece ser querer derrubar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em quem detecta um vestígio do pensamento e da ação econômica que julga uma “herança do atraso”: o risco de regressar a uma era pré-thatcherista.

Um editor e o colunista de economia do Jornal das Dez, da Globo News, concederam amplo destaque às recomendações escritas por The Economist em sua última edição, na qual, com um senso de humor impregnado de desprezo, disse que não recomendará mais a queda de Mantega, sabendo que a presidenta Dilma Rousseff rechaça imposições, como ela mesmo afirmou na cúpula do BRICS realizada na África do Sul, frente a primeira investida da publicação londrina.

Que o braço televisivo das empresas de entretenimento e desinformação da Globo assuma como suas as provocações da The Economist é um fato repetido que não merece nenhum comentário novo. O que merece uma menção é o reiterado uso, por parte de seus jornalistas, do adjetivo “prestigiosa”. 

Como já foi assinalado acima não está em discussão a qualidade dos textos, nem o rigor da informação publicada pelo semanário, mas seu principal traço, muito mais que o prestígio, é sua influência, e esta é filha da repercussão propagandística de seus ataques políticos na forma de artigos jornalísticos.

O que a política econômica personalizada em Mantega ameaça, para publicações como The Economist, Financial Times, The Wall Street Journal e para agências de risco como a Standard and Poors, não são ideias, mas sim a disputa do capital transnacional para ficar com a maior parte dos excedentes da sétima economia mundial.

Quando as multinacionais da informação, que elevam a The Economist à condição de bíblia, demandam “confiabilidade” e “segurança jurídica”, na verdade estão utilizando um eufemismo para chantagear governos periféricos para que renunciem a toda soberania econômica e eliminem todo tipo de regulações. O modelo a ser imitado é o Chile e, mais recentemente, a Aliança para o Pacífico.

Dessa forma, inventa-se uma espécie de Pensamento Único Econômico, um consenso imposto a força, que não é filho da liberdade de expressão ou do pluralismo, mas sim da imposição e dos ataques aos interesses nacionais de países do sul.

Está certo Mantega quando assinala que “The Economist aposta em uma política conservadora...porque critica as políticas de estímulo (à produção e ao consumo), que é uma política que dá resultados, como deram, por exemplo, em 2008”. Na contramão do grosso dos economistas, Mantega, não fugiu da polêmica com a publicação britânica, identificando-a como um órgão alinhado com a direita europeia.

A revista, disparou o ministro brasileiro, “deve ter a mesma opinião que o governo de seu país (Grã-Bretanha) e dos estados europeus em geral (cujas políticas econômicas) que tiveram um resultado o qual não preciso mencionar”. Como era de se esperar, as afirmações de Mantega não mereceram nenhuma repercussão nos veículos de imprensa dominantes em nível global, associados em sua maioria ao credo e aos interesses encarnados pela The Economist.

(*) Correspondente, Doutor em Comunicação e Mestre em Relações Internacionais (@DarioPignotti).