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quarta-feira, 29 de junho de 2011

No Paraguai, Dilma exalta momento do Mercosul, mas alerta para crise dos ricos

Ao lado de Mujica, Lugo e Correa, presidenta reafirma crescimento com inclusão social e alfineta governantes "desvinculados das realidades nacionais"

Em Assunção, no Paraguai, Dilma reafirma que o bom momento da região é fruto de transferência de renda e criação de empregos (Foto: Roberto Stuckert. Presidência)
A presidenta Dilma Rousseff defendeu, durante a Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, que é preciso atenção para os efeitos da crise nos países ricos, que ainda tem impacto negativo na região. No primeiro encontro multilateral com os chefes de Estado da região após a posse, ela fez uma menção indireta ao uso do bloco econômico para que produtos de outras nações, em especial os chineses, ingressem no Brasil pagando menos impostos.
Dilma entende que é preciso discutir ainda este ano um instrumento que evite este tipo de atuação. “Identificamos que alguns parceiros de fora buscam vender-nos produtos que não encontram mercado nos países ricos.”
Aos que procuram ruídos na relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma destacou que o bom momento da região é fruto de programas de transferência de renda, criação de empregos e elevação de salários. Ao mesmo tempo, aproveitou para reafirmar seu compromisso com a continuidade do projeto iniciado em 2003. “A inclusão social tornou-se motor de nossas economias, e não o contrário, como insistiram, e fracassaram no passado, governantes e economistas desvinculados de nossas realidades nacionais”, criticou.
Frente aos presidentes do Uruguai, José Pepe Mujica, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Equador, Rafael Correa, Dilma reiterou também algumas das marcas de governo que pretende promover no exterior. O discurso enfatizou o programa Brasil sem Miséria, que pretende tirar da pobreza extrema 16 milhões de brasileiros. Vale lembrar que o combate à fome por meio da transferência de renda foi uma constante das reuniões regionais com Lula. Neste sentido, Dilma assinalou que a escolha do ex-ministro José Graziano no fim de semana para comandar a FAO, agência da ONU para a alimentação, é uma vitória de toda a região.
A grande ausência do encontro foi a da presidenta argentina, Cristina Kirchner, que permaneceu em Buenos Aires por recomendação médica. Ela foi representada pelo chanceler Hector Timerman.
Foi cumprida a maior parte das expectativas do Itamaraty quanto à reunião. Os países aceitaram discutir o fim da dupla cobrança sobre a Tarifa Externa Comum (TEC), que é a taxa paga por empresas da região para exportar. Será fechado um acordo para o livre trânsito de mercadorias, medida que visa a beneficiar o Paraguai, país sem saída para o mar. Além disso, serão fortalecidos os mecanismos de redução das assimetrias entre os sócios do bloco, uma queixa constante das economias mais fracas.
Na área política, aceitou-se a recomendação do Parlamento do Mercosul (Parlasul) de que as eleições diretas para o Legislativo regional ocorram apenas a partir de 2014, e não em 2012, como desejavam alguns setores. 
Espera-se avançar no segundo semestre na adoção de uma placa automotiva comum para todos os países do Mercosul. Por outra parte, será implementado o Plano Estratégico de Ação Social do Mercosul, que estabelece políticas sociais regionais comuns para atender os Objetivos do Milênio das Nações Unidas. 
Entre Brasil e Paraguai foram acordadas mudanças no projeto da segunda ponte binacional. A via sobre o Rio Paraná terá não apenas conexão rodoviária, mas também ferroviária, atendendo a um pedido de Lugo. 

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