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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Israel: O dia em que dezenas de milhares de israelenses ao longo do país gritaram “Bibi, vá para casa”,


'A noite em que tive orgulho de ser israelense'

Nunca houve uma manifestação como essa antes em Israel – todo mundo junto, jovens e velhos, direita e esquerda, árabes e judeus. Esqueçam o protesto sobre moradia, não se trata mais somente disso. Aqueles que temiam que os protestos fossem muito restritos, comezinhos, ontem assistiram à sua expansão. Seus objetivos já ultrapassaram o aluguel de um pequeno apartamento. Na noite de sábado, Benjamin Netanyahu recebeu sua carta de demissão, quando dezenas de milhares de israelenses ao longo do país gritaram “Bibi, vá para casa”.

De Gideon Levy - Haaretz (no Carta Maior)

Foi a noite em que Benjamin Netanyahu foi expulso do gabinete de Primeiro Ministro em desonra.

Netanyahu permanecerá no gabinete por um tempo, mas esse tempo está aí. Acabou. Ele vai se contorcer e fazer promessas, dar declarações e virar as costas, ele vai pregar mais algumas peças, mas isso não vai ajudá-lo nem um pouco.

Assim como o foi ontem, ele é um pato manco. Na noite de sábado, o 17° primeiro ministro de Israel recebeu sua carta de demissão. Quando dezenas de milhares de israelenses ao longo do país gritaram “Bibi, vá para casa”, Bibi irá de fato para casa. Bye bye, Bibi, adeus para sempre.

Essa foi a noite de que todo israelense pode se sentir orgulhoso de ser israelense, como nunca antes o foi. A verdadeira marcha do orgulho de Israel ocorreu ontem. Não pode haver melhor campanha de relações públicas para um país desprezado e evitado, do que a manifestação de ontem à noite, deste novo Israel. O ministro do Exterior deveria transmitir as imagens para o mundo todo: a democracia de Israel celebrada sábado à noite, como não o era em anos, levantando-se contra todos os que a queriam morta. Sem violência, sem apoios políticos supérfluos, nem Cairo, nem mesmo Atenas, mas algo muito mais bonito – uma luz genuína para as nações.

O povo, digamos, falou com uma voz alta; sem medo e sem causar medo – Tahrir, liberdade, mas não tiroteio. Falar? Não, gritar. Sim, na noite passada eu estava muito orgulhoso de ser um israelense. Só me senti embaraçado diante de minha inabilidade em assobiar com dois dedos, como a massa que marchava pela rua Ibn Gvirol assobiava, em deboche, num volume de doer os ouvidos, ecoando pelos muros do [restaurante] Goocha, para onde os clientes tinham ido comer frutos do mar como se nada fora do comum estivesse se passando. Se soubesse, eu também teria assobiado.

Nunca houve uma manifestação como essa antes em Israel – todo mundo junto, jovens e velhos, direita e esquerda, árabes e judeus. O estado que foi criado no (velho) Museu de Tel Aviv demonstrou na noite passada sua robusteza e maturidade diante do atual Museu de Arte de Tel Aviv.

Entre esses museus repousam 63 anos de altos e baixos. A noite passada foi a mais alta marca d’água recente. Foi também, aparentemente, a maior demonstração da história, a maior depois da de Sabra e Shatila.

Os manifestantes mandaram ver ontem à noite. Palavras de ordem contra os altos preços dos alugueis eram raras. “O povo quer justiça social” era a mais comum, seguida por “Hoo, há, mi zeh ba”? Medinat harevaha (“O que é isso que vem aí? É o Estado de Bem Estar Social”). Socialismo, hoje? Sim, com a garganta engasgada e tons emocionais. O protesto ganhou asas ontem à noite. Esqueçam o protesto sobre moradia, não se trata mais somente disso. Aqueles que temiam que os protestos fossem muito restritos, comezinhos, ontem assistiram à sua expansão. Seus objetivos já ultrapassaram o aluguel de um pequeno apartamento.
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